Os cuidados com o pé diabético

Diabete é um das doenças mais debilitantes com que o homem pode se deparar. Ela é uma doença sistêmica, isto é, afeta todo o corpo e é a maior causa de cegueira, doença renal terminal, doença cardíaca e doença vascular periférica. Entretanto, é nos pés que as complicações ocorrem mais freqüentemente. É estimado que 50 % dos diabéticos não estejam diagnosticados nos EUA, este valor deve ser ainda maior no Brasil. Existe uma relação direta entre a idade e a incidência de diabete, e uma vez que a média de idade da população aumentou a incidência de diabete também aumentou.

A diabete provoca muito freqüentemente, lesão nos nervos periféricos com perda parcial ou total da sensibilidade. Uma vez que a sensibilidade está diminuída, traumatismos podem provocar lesões que passam desapercebidas até um estado bastante avançado e como a circulação está, muitas vezes, prejudicada, a cicatrização é difícil ou impossível. Problemas com os pés são extremamente comuns entre os diabéticos e freqüentemente alcançam tal gravidade que a amputação se faz necessária. Para se ter uma idéia, a doença vascular periférica (arteriosclerose) é trinta vezes mais comum no diabético e a gangrena (necrose de um membro) é setenta vezes mais comum entre este grupo de pacientes. Na verdade, é por problemas nos pés que os diabéticos mais freqüentemente procuram orientação médica.

A amputação já foi o tratamento inicial para muitos problemas do pé diabético, hoje, contudo, ela é reservada para casos de extrema gravidade. Mesmo assim, 50 mil casos de amputações realizados nos EUA a cada ano (escore provavelmente semelhante ao brasileiro). Sabe-se que, pelo menos, 30 % dos pacientes amputados perdem a outra perna dentro de 3 anos da primeira cirurgia e aproximadamente 2/3 destes pacientes morrem dentro de 5 anos.

É interessante observar que as complicações do diabete não estão relacionadas à severidade da doença. Na verdade, formas leves da doença - isto é, diabete tipo II, não insulino dependente – apresentam mais complicações que os pacientes com diabete tipo I – insulino dependentes

Uma vez que não há ainda cura para o diabete, o tratamento deve ser focado na prevenção e manejo das complicações da doença. A causa mais comum de complicações no Diabete é a chamada neuropatia periférica que ocorre em aproximadamente 60 % dos diabéticos. Clinicamente ela se manifesta por formigamento, agulhadas, e diminuição ou ausência de sensibilidade nas extremidades, principalmente nos pés. Ela é quase universal em pacientes com mais de 20 anos de doença. Esta falta de sensibilidade leva freqüentemente a lesões com evolução muitas vezes desastrosas, como descrito anteriormente.

Sabendo-se que problemas com os pés são muito freqüentes e geralmente graves nos diabéticos, é importante observar as recomendações da "Sociedade Americana de Cirurgia do Pé e Tornozelo" em relação ao pé diabético:

1 - Lave os pés diariamente e seque com cuidado, especialmente entre os dedos. Teste a água com a mão antes do banho e evite extremos de temperatura. A sensibilidade dos pés não é confiável para testar a temperatura da água.

2 - Inspecione ao redor e entre os dedos diariamente e observe bolhas, cortes, rachaduras. Use o espelho para auxiliar na inspeção da sola dos pés. Se você tem visão prejudicada, peça para um membro da família para inspecionar para você. É muito comum nos diabéticos lesões graves nos pés ( bolhas, cortes, etc ...) não provocarem dor pela redução ou ausência de sensibilidade.

3 - Ao cortar as unhas, não arredonde os cantos, corte-a completamente reta. Isto evita a paroníquia (unha encravada) que pode ser extremamente grave no diabético.

4 - Nunca caminhe descalço, especialmente em pisos aquecidos como areia ou próximo à piscinas. Seus pés são insensíveis à temperaturas extremas que podem provocar bolhas graves.

5 - Nunca corte e use agentes químicos para remover calos. Lesões podem se desenvolver em função disto.

6 - Se os pés estão frios à noite, use meias. Não use bolsas de água quente ou almofadas térmicas.

7 - Use meias apropriadas. Não esse meias com emendas ou mesmo com costuras. Qualquer irregularidade pode provocar lesões.

8 - Inspecione os calçados internamente todos os dias. Não use calçados sem meias.

9 - Os calçados devem ser confortáveis na hora da compra. Não espere que eles se adaptem com o uso.

10 - Use calçados preferentemente de couro, que permite que os pés "respirem".

11 - Não use calçados novos mais do que poucas horas na primeira vez. Lesões se desenvolvem rapidamente. (+ - 1 hora )

12 - Não fume. O cigarro prejudica ainda mais a circulação dos pés.
 

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